Qual a relação entre o cigarro e a fertilidade?

reproduçao

Talvez o cigarro não seja tão ruim quanto você imagina: Muito provavelmente ele é bem pior!

Um levantamento divulgado pela organização não-governamental ACT (Aliança do Controle do Tabagismo), mostra que 82% dos casos de câncer de pulmão no Brasil estão relacionados ao tabagismo;83% dos tumores de laringe e que pessoas que fumam vivem cerca de 12 anos menos do que as não fumantes.

Não à toa, o tabagismo é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa de mortes possíveis de evitar no mundo.

Sabemos sobre os muitos males causados pelo fumo no pulmão e nos outros componentes do sistema respiratório, mas você sabia que o tabagismo pode atingir inúmeras outras partes do corpo humano também?

Muitas vezes, ele é o responsável por casos de câncer de bexiga, boca, língua, laringe, problemas circulatórios e, acredite, até fertilidade. Mas o que o hábito de fumar tem a ver com fertilidade?

Reunimos uma série de estudos que mostram essa relação, e os resultados de nossa pesquisa você encontra aqui:

Alteração nas diferentes fases da reprodução

De acordo com uma pesquisa feita por médicos da Sociedade Brasileira de Pediatria, o tabagismo atua negativamente em todas as fases da reprodução, devido à ação direta de dois de seus principais componentes tóxicos: a nicotina e o monóxido de carbono.

Além disso, o hábito de fumar reduz a taxa de fertilidade, compromete a duração da gestação e até mesmo interfere no peso do embrião.

O tabagismo reduz globalmente a fertilidade, com evidente atraso da primeira gestação. O estudo observou que o grupo fumante tinha 3,4 vezes mais probabilidade de levar mais de um ano para conceber (após tentativas de engravidar) do que o grupo de não fumantes.

Fragmentação do esperma

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que comparou o esperma de fumantes aos de não-fumantes, mostrou que o DNA no esperma dos fumantes estava fragmentado.

Quando o DNA no esperma está fragmentado, elenão é capaz de completar o DNA do embrião, logo a presença de altos níveis de fragmentação tem estreita relação com o insucesso gestacional.

Além disso, a fragmentação também está relacionada a um aumento do risco de problemas genéticos no feto e ao desenvolvimento de câncer infantil.

Os pesquisadores acreditam que essa fragmentação seja resultado de um stress oxidativo ocasionado pelo cádmio e pela nicotina, presentes no cigarro.

Além disso, as mitocôndrias, que são o centro de energia das células, também estavam menos ativas no esperma desses voluntários.

Alterações nos acromossomos

O acromossomo é uma região que cobre 40 a 70% da cabeça do espermatozoide. Essa região é responsável por liberar as enzimas que possibilitam a penetração do espermatozoide no escudo do óvulo, sendo crucial para a fecundação.

Segundo a pesquisa da Unifesp, os fumantes apresentaram uma porcentagem alta de acrossomos alterados.

E, quanto maior o número de espermatozoides com morfologia alterada, maiores as chances de o casal não obter sucesso na gravidez,ou dessa gravidez demorar mais tempo a acontecer.

Além disso, um grande número de espermatozoides com morfologia alterada também está relacionado com outras alterações seminais, como a concentração de espermatozoides e motilidade.

Alterações no plasma seminal

O plasma seminal tem sido recentemente objeto de estudo em várias linhas de pesquisa, visto a descoberta de sua importância na viabilidade espermática.

Os responsáveis pela pesquisa da Unifesp encontraram uma série de alterações nas proteínas do plasma seminal, que podem prejudicar a fertilização.

Das 422 proteínas analisadas nos fumantes, 27 estavam sub-representadas, seis super-representadas, e uma delas simplesmente estava faltando!

Nem tudo está perdido

Essas são algumas das consequências que o fumo, mesmo que de forma passiva, pode provocar em relação à fertilidade.

E não para por aí: segundo Ricardo Pimenta Bertolla, urologista, professor da Unifesp e um dos pesquisadores responsáveis por alguns dos estudos acima mencionados, “mais e mais estudos estão demonstrando um efeito nocivo do tabaco sobre a fertilidade.

Nossos resultados apontam na direção de alterações importantes no sêmen.

O esperma dos fumantes apresenta uma natureza inflamatória associada à diminuição da capacidade de fertilização e de uma gravidez saudável.”.

Mas nem tudo está perdido: O corpo humano tem uma capacidade incrível de se regenerar. Pessoas que abandonam o hábito de fumar sentem melhora no organismo em poucos dias.

Estudos apontam que, quem abandona o vício perto dos 30 anos, consegue inclusive reestabelecer o organismo a ponto de parecer que nunca fumou.

Então a mensagem é simples: fumar altera a morfologia e diminui a possibilidade de uma fecundação e gestação de sucesso. Se esse é seu objetivo (e mesmo que não seja), fumar é um hábito que deve ser abandonado. Todo o seu corpo agradece.

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Equipe Médica Revisora do Texto

Dra. Hérica Mendonça, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

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