Oncofertilidade: solucione as suas dúvidas

oncofertilidade

O diagnóstico de câncer é um momento delicado para todos os pacientes – em especial para os homens e mulheres jovens, que ainda não tiveram filhos mas pensam em constituir família no futuro.

Para estes casos, há uma área na medicina conhecida como Oncofertilidade, que tem o intuito de preservar a fertilidade dos pacientes oncológicos para que eles possam ter chance de ser mãe ou pai depois do término do tratamento contra o câncer.

Abaixo, respondemos as principais dúvidas sobre a Oncofertilidade. Confira:

  1. Como os tratamentos para o câncer podem afetar a fertilidade?

Em grande parte dos casos, alguns tratamentos contra o câncer como a Quimioterapia e a Radioterapia podem levar a alterações na fertilidade feminina e masculina.

Algumas consequências destes dois tratamentos são a ausência de espermatozoides no homem, a falência ovariana e a menopausa precoce nas mulheres – vale ressaltar que estes efeitos colaterais podem ser permanentes ou transitórios, levando de meses a anos para desaparecerem nos casos reversíveis.

  1. Quanto tempo dura o tratamento de Oncofertilidade?

O tratamento de Oncofertilidade não pode atrapalhar o tratamento contra o câncer. Por isso, todo o procedimento é realizado de maneira simples e rápida.

No caso dos homens, em cerca de 2 a 5 dias é possível coletar uma quantidade suficiente de sêmen para a criopreservação. Já no caso das mulheres, que precisam ser submetidas à estimulação ovariana para a produção dos óvulos, o processo dura, em média, de 15 a 20 dias.

Se a indicação for preservação de tecido ovariano, o tempo necessário é o da programação e realização de uma cirurgia para retirar o fragmento de ovário, sendo aproximadamente 2-5 dias.

  1. Quem pode realizar o tratamento?

De maneira geral, o tratamento de Oncofertilidade é indicado para homens e mulheres jovens com diagnóstico de câncer, que desejam ter filhos no futuro após o tratamento oncológico.

Crianças e adolescentes na puberdade ou na fase pré-púbere também podem realizar o tratamento através de algumas intervenções, como a proteção da região pélvica durante as sessões de Radioterapia e também a coleta de tecido ovariano.

No entanto, o Oncologista ou médico responsável pelo tratamento do câncer é quem deve avaliar se a Oncofertilidade é viável em cada caso.

  1. Como o homem poderá saber se é fértil ou não após o término do tratamento do câncer?

Por volta de seis meses após o término do tratamento, o homem deve fazer uma nova coleta de sêmen para a realização do espermograma.

O exame irá avaliar as condições dos espermatozoides como quantidade, motilidade e morfologia – ou seja, informações da qualidade dos gametas sobre o potencial fértil do paciente depois do término do tratamento oncológico.

  1. Como a mulher poderá saber se é fértil ou não após o término do tratamento do câncer?

Depois de encerrar o tratamento, a mulher precisa realizar uma série de exames para detectar o retorno ou ausência da sua fertilidade natural.

Os exames hormonais, por exemplo, avaliam a dosagem sanguínea dos hormônios FSH, estradiol e AMH, que são essenciais para a ovulação feminina.  Além disso, também é realizado um ultrassom transvaginal, que avalia as dimensões do útero, dos ovários e a contagem de folículos antrais (AFC), que são indicadores da reserva ovariana.

  1. Por quanto tempo os gametas podem permanecer congelados?

Os óvulos e espermatozoides coletados dos pacientes que passam pelo tratamento de Oncofertilidade passam por um processo chamado de criopreservação.

Nela, o material é armazenado em nitrogênio líquido a temperaturas extremamente baixas (geralmente -196°C). Isso permite que os gametas possam permanecer congelados por tempo indefinido, sem que a qualidade ou as informações genéticas do material sejam afetadas.

  1. Mulheres com câncer de mama podem passar pelo processo de estimulação ovariana com utilização de hormônios?

Para mulheres com tumores que podem aumentar de tamanho a partir do uso de hormônios, o procedimento de estimulação ovariana para a coleta dos óvulos deve ser mais cuidadosa.

Uma das abordagens é o uso de medicamentos que diminuem os níveis de estrogênio no organismo – vale ressaltar que os altos níveis de estrogênio são responsáveis por grande parte dos tumores no útero, mama e ovários nas mulheres.

Assim, com os cuidados necessários e com o acompanhamento do Oncologista, as mulheres com câncer de mama podem passar pela estimulação ovariana para congelarem seus óvulos sem que a doença seja agravada.

  1. Mulheres cujos óvulos não podem ser coletados podem passar pelo tratamento de Oncofertilidade?

Se por algum motivo os óvulos não puderem ser coletados, ainda é possível recorrer à criopreservação do tecido ovariano.

Neste caso, a paciente é internada por 1 a 2 dias e alguns fragmentos do ovário são retirados via videolaparoscopia. Estes fragmentos são congelados e podem ser usados em um futuro transplante ou em um processo de maturação para a produção dos óvulos em laboratório.

Vale lembrar que estas técnicas ainda são bastante recentes, mas apresentam resultados satisfatórios e podem ser realizadas com segurança para a paciente.

  1. Quais os procedimentos para engravidar depois que o tratamento oncológico foi finalizado?

No início do tratamento da Oncofertilidade, os gametas são coletados do homem ou da mulher e congelados em laboratório.

Para dar continuidade ao tratamento, o passo seguinte é a realização da Fertilização In Vitro (FIV), técnica de reprodução assistida que torna possível a concepção da gravidez em diversos casos de infertilidade.

Nela, os óvulos ou espermatozoides coletados anteriormente são fecundados em laboratório com os gametas do parceiro ou parceira. O processo dá origem a embriões, que permanecem em cultivo por alguns dias até que tenham se desenvolvido o suficiente para serem transferidos para o útero da mulher que fará a gestação.

Feita a transferência, o próximo passo é aguardar por um período e realizar um exame de gravidez para detectar se a FIV foi bem-sucedida ou não.

  1. Se a fertilidade não for preservada, existem alternativas para que os pacientes possam ter filhos no futuro?

Caso a fertilidade não tenha sido preservada antes do tratamento contra o câncer, é provável que a fertilidade natural do paciente tenha sido afetada de maneira definitiva. No caso dos homens, a alternativa para ter filhos é recorrer aos bancos de sêmen, que são totalmente anônimos e seguros.

A partir daí, é necessário realizar uma Fertilização In Vitro, onde sêmen obtido será fecundado junto ao óvulo da parceira do paciente e depois implantado em seu útero.

No caso das mulheres, é possível tentar o processo de indução da ovulação e, caso a mesma não tenha sucesso, recorrer à doação de óvulos, que funciona de maneira semelhante aos bancos de sêmen. Também através da FIV, o óvulo da doadora anônima será fertilizado em laboratório junto aos espermatozoides do parceiro da paciente, que depois terá o embrião transferido para o seu útero.

Aproveite para baixar o eBook “Como escolher uma clínica de reprodução assistida” e solucione todas as suas dúvidas!

Equipe Médica Revisora do Texto

Dra. Hérica Mendonça, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

Deixar comentários