Criopreservação e Vitrificação: conheça a importância dessas técnicas

vitrificação

Ao pesquisar mais a fundo sobre fertilização in vitro, por vezes nos deparamos com os termos criopreservação e vitrificação. Mas você sabe em que consistem estas técnicas, como elas são feitas e quando são recomendadas? Este artigo te explicará tudo o que você precisa saber sobre o assunto, de forma clara e simplificada.

O que é criopreservação?

A criopreservação é um conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas (196º C negativos) com o uso de nitrogênio líquido. Uma dessas técnicas é a vitrificação.

Quando falamos em Reprodução Humana, essas técnicas são utilizadas para preservar gametas femininos e masculinos, bem como embriões. Muitas pessoas precisam preservar os gametas por se depararem com a impossibilidade imediata de maternidade ou paternidade, seja por escolha própria ou circunstâncias adversas. Outras, optam pela preservação dos gametas durante o processo de Fertilização in Vitro.

Criopreservação de esperma

A criopreservação de esperma é utilizada desde os anos 40. A técnica é recomendada para pacientes que tem o objetivo de preservar a fertilidade futura, seja por que desejam realizar uma vasectomia, seja por que desenvolveram alguma condição patológica que eventualmente pode torná-los estéreis, como alguns tipos de câncer.

Nesses casos, o esperma pode ser coletado antes do início do tratamento para que os espermatozoides sejam congelados antes de serem expostos à radioterapia ou quimioterapia, já que estes tratamentos podem afetar sua qualidade.

Coleta de gametas masculinos

A coleta dos gametas masculinos para criopreservação é feita principalmente através da masturbação, com coleta do sêmen, onde habitualmente encontram-se os espermatozóides. O sêmen é então processado para separar os gametas de alguns restos celulares que podem estar presentes no líquido. Pode ser realizado um preparo, ou “seleção”, para congelar apenas os espermatozoides mais ativos.

Faça exames para verificação

Em situações em que o sêmen não possui espermatozoides, deve ser realizada uma avaliação especializada da possibilidade de coleta através de punção de epidídimo ou biópsia testicular. São exemplos destas situações a vasectomia ou outras obstruções dos canais seminais.

Homens também podem fazer doação para bancos de sêmen, um recurso que pode ajudar pessoas que desejam realizar o sonho de ter um filho. Existem regras específicas para este fim.

Criopreservação de óvulos

Atualmente é possível também realizar a preservação de óvulos. Esta técnica é mais recente que a preservação de espermatozoides, e foi um grande avanço em Medicina Reprodutiva.

Preservação da fertilidade feminina

O congelamento de óvulos é uma opção para preservação da fertilidade feminina quando os planos de gravidez precisam ser adiados, quer por motivos de saúde, quer por questões sociais. A idade da mulher no momento de congelamento dos seus gametas é de grande importância, já que a qualidade dos óvulos e as taxas de gravidez se relacionam com esta variável.  

Indução da ovulação

Para o congelamento dos óvulos, é relizada primeiramente a indução da ovulação, com o objetivo de aumentar o número de folículos em crescimento. Quando os folículos atingem um tamanho ideal, é realizada a punção dos ovários com uma agulha fina, sob anestesia (sedação) para coleta dos óvulos. Trata-se de um procedimento que dura em média 20 minutos, no qual líquido do interior dos folículos é aspirado e, junto deste líquido, obtém-se os óvulos.

A quantidade de óvulos recolhida dependerá da resposta de cada paciente à indução da ovulação, que pode variar de acordo com a idade e características de cada uma.

Assim como os espermatozoides, os óvulos também podem ser doados para outras pessoas que desejam realizar o sonho de ter filhos, de acordo com regras específicas para este fim.

Criopreservação de embriões


A criopreservação de embriões é uma possibilidade nos tratamentos de Reprodução Assistida. Pode ser realizada quando houver embriões excedentes (número maior de embriões do que o casal pode ou deseja transferir para o útero em cada tentativa), com a possibilidade de serem utilizados em uma tentativa futura.  

É também uma ferramenta útil quando se deseja realizar o tratamento de Reprodução Assistida com estudo genético dos embriões.

Tipos de criopreservação

Para que a criopreservação seja feita da forma correta, são necessárias três etapas. Primeiro são adicionadas substâncias crioprotetoras, para evitar a formação de cristais de gelo no interior dos espermatozoides, óvulos ou embriões, o que impediria que eles pudessem ser utilizados novamente. Essas substâncias também preservarão as estruturas internas dessas células, impedindo sua destruição.

Congelamento lento

Depois é feita a técnica de congelamento, que pode ser lenta ou ultrarrápida (conhecida como vitrificação). A primeira, chamada de congelamento lento, consiste na redução de temperatura a uma velocidade de 0,5 a 2,0ºC por minuto. O material recolhido é primeiro colocado em um freezer programado, que reduz progressivamente a temperatura de 20 a -7ºC a uma taxa de 2ºC por minuto.

É feita a manipulação manual do material recolhido em cerca de 10 minutos e, depois, a temperatura é reduzida a -30ºC, a uma taxa de 0,3ºC por minuto; e finalmente, para
-150ºC a velocidade de 50ºC por minuto. A duração do processo varia de três horas e meia a quatro horas. Posteriormente, o descongelamento é feito de forma mais rápida, sendo que em menos de 1 hora o material já está descongelado.

Vitrificação

Já na vitrificação, ou congelamento ultrarrápido, a diferença de velocidade é notável: 2500 °C por minuto, o que faz com que todo o processo (preparação e congelamento) dure no máximo 3 minutos. A velocidade de descongelamento é igualmente rápida, 300 ºC por minuto. Este é o método mais utilizado atualmente, pois vários estudos científicos sérios e confiáveis mostram que é a técnica que menos prejudica os gametas e embriões.


Independente do método, a última etapa é sempre o armazenamento em tanques de nitrogênio líquido, onde o material fica sob a temperatura de -196 ºC. Eles são colocados em pequenas palhetas com sua identificação e podem ficar armazenados por tempo indeterminado. Já existem relatos em publicações científicas de embriões transferidos após ficarem 20 anos criopreservados e que resultaram em bebês normais.

Quando é recomendado realizar a Criopreservação?

As indicações de criopreservação são bastante variadas, como por exemplo:

– Pacientes que irão se submeter a radioterapia ou à quimioterapia para tratamento de câncer, ou qualquer procedimento cirúrgico que possa comprometer a sua fertilidade.

– Pacientes que irão se submeter a alguma cirurgia de esterilidade (como vasectomia ou laqueadura

– Condições que dificultam a gravidez, como disfunção erétil

– Profissionais que se expõe à radiação ou outros elementos nocivos, com o intuito de preservar a sua potencial fertilidade

– Mulheres que desejam postergar a gravidez para depois dos 35 por motivos de saúde ou sociais

– Impossibilidade de o casal estar presente ao mesmo tempo durante o ciclo de tratamento, por exemplo, quando viagens impedem que a coleta de sêmen e óvulo seja realizada no mesmo dia

– Preservar os embriões excedentes em ciclo de Fertilização in Vitro

– Bancos de gametas (óvulos ou espermatozoides)

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Equipe Médica Revisora do Texto

Dra. Hérica Mendonça, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

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