7 dúvidas sobre como é feita a escolha do embrião na FIV

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No tratamento de fertilização in vitro, existe a possibilidade de os pacientes optarem por fazer uma biópsia embrionária. A biópsia consiste em uma análise laboratorial dos embriões gerados pela fecundação in vitro que pode detectar alguma alteração na forma ou no tamanho do embrião, evitando problemas para a gestação e até prevenindo algumas doenças que a criança poderia desenvolver no futuro.

Depois desta análise os médicos podem fazer a escolha do melhor embrião para a colocar no útero materno. Porém existe uma série de dúvidas sobre como o processo é feito e o que os médicos consideram que é o melhor embrião. No decorrer do texto vamos esclarecer algumas dúvidas de como acontece a escolha do embrião pela equipe médica.

Como é feita a biópsia embrionária?

No processo de biópsia embrionária é retirado um pequeno fragmento do embrião que é levado para um laboratório específico onde são analisados os seus cromossomos.

Existem dois tipos de biópsias distintas: no procedimento mais simples são analisados os cromossomos relacionados a malformações fetais e abortos espontâneos.

No processo mais é possível analisar, além dos cromossomos, algum gene específico que seja causador de doenças na família.

Para quem a escolha do embrião é recomendada?

A análise mais simples e superficial do embrião que avalia malformações ou aborto pode ser recomendada para mulheres com mais 35 anos, casos de repetidos abortos espontâneos ou quando algum dos pais possui cariótipo alterado.

O procedimento mais complexo é recomendado quando o homem ou a mulher possuem alguma doença genética na família ou quando o casal já possui um ou mais filhos com alguma doença genética identificada.

Um casal que não se encaixa nesse perfil pode realizar o procedimento?

O procedimento de escolha do embrião é recomendado para os casos citados, mas outros casais ou mulheres solteiras podem sim optar por realizar o procedimento da biópsia embrionária. A única restrição é de que o procedimento deve ser realizado com o fim exclusivo de prevenir abortos, malformações fetais ou doenças.

Quais doenças podem ser diagnosticadas neste procedimento?

As doenças genéticas familiares previamente conhecidas e as cromossomopatias, doenças relacionadas a alterações no número de cromossomos fetais como a Síndrome de Down e a Síndrome de Turner, podem ser diagnosticadas.

O resultado da biópsia embrionária é garantido?

Quando o assunto é o corpo humano é muito difícil dar garantia das previsões feitas pelos médicos. No procedimento da biópsia embrionária a média de diagnósticos corretos está entre 95 e 99% dos casos.

O que a legislação brasileira diz sobre a escolha do embrião?

O Brasil não possui uma lei que regulamente o uso da biópsia embrionária. A lei da biossegurança que regulamenta as pesquisas com células tronco foi publicada no ano de 2005, antes que a técnica que determina a escolha do embrião fosse desenvolvida.

Portanto cabe ao Conselho Federal de Medicina determinar os limites éticos do procedimento. O CMF, por sua vez, estabelece que o procedimento pode ser realizado para prevenir abortos, malformações fetais ou problemas de saúde. Porém o embrião não pode ser escolhido pelo seu sexo ou pelas suas características físicas como cor dos olhos, cor da pele ou do cabelo.

O procedimento da biópsia pode causar danos ao embrião?

A biópsia embrionária é um procedimento invasivo que retira algumas células do embrião. Com o avanço tecnológico e a atuação de uma equipe técnica qualificada os riscos têm diminuído cada vez mais e atualmente as chances de causar algum dano ao embrião são de 5%.

Conclusão

O procedimento da escolha do embrião é uma técnica nova dentro do tratamento de fertilização in vitro, por isso é natural que existam uma série de questões e dúvidas. Após a leitura do texto você já possui mais conhecimento sobre o procedimento e entende como acontece a biópsia embrionária; para quem ela é recomendada e quem pode realizá-la; quais as doenças diagnosticadas; qual a garantia do diagnóstico; o parecer da legislação brasileira e do CFM sobre o assunto e quais os riscos para o embrião.

Por fim, a escolha embrionária é feita com base no estado de saúde dos cromossomos presentes no embrião e o “melhor” embrião não é aquele com a aparência física ou o sexo desejado pelos pais, mas sim aquele que possui mais chances de resultar em uma gestação de sucesso e em crianças saudáveis.

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

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